terça-feira, 20 de julho de 2010

Ferrugem

Espécie de raiva, raiva perversa de recompensa, roubando a vitalidade de um brilho inexistente tentando gentilmente deixar um aviso de '' sem vagas '' quando o peito é rasgado, e se torna natural de tão normal e enfurecida.
Tornando-se parte sem importância nadando na banheira transbordando de angústia, angústia profunda, cheia de ferrugem infiltrando em meus poros rasgados, remendados. Mas é uma luta que cansa, que maltrata, e não existe vencedor, porque é o drama tomando o lugar da esperança. Mas pra quê, travar uma luta quando a batalha consegue uma vítima e quando você deseja se livrar da culpa que foi moderadamente posta em seu ombro?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

(In)certeza

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E foi assim, simplesmente assim, olhando diretamente em seus olhos que eu aprendi o que era o amor. Bem, na verdade não foi ' amor a primeira vista ' mas naquela noite voltando para casa sozinha e pensando se aquilo poderia ser real me senti totalmente diferente, era uma certeza em minha cabeça e em meu coração. Hoje é apenas uma lembrança de algo que foi verdadeiro apenas pra mim.
E eu tentei, desde o primeiro instante de certeza aceitar que a dor no meu coração poderia de repente despertar, eu não aceitei, e foi o que aconteceu. Por algum motivo absurdo me senti terrivelmente fraca, não acreditei que isso poderia fazer com que eu involuntariamente me sentisse deprimida, e desde então pensei em falar, mas eu sempre soube que as possibilidades de você entender seriam mínimas, então me calei.
Se é amor, espero que passe de uma vez, e espero também nunca mais sentir isso novamente, não é um sentimento bonito, não pra mim. É um sentimento destruidor, mas eu tenho uma certeza que o tempo não pode transformar em incerteza, dói muito menos ser fria, implícita, mesmo sendo completamente sincera, foi assim que aprendi a ser.
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''Como são admiráveis, as pessoas que não conhecemos muito bem."
- Millôr Fernandes.

sábado, 17 de julho de 2010

O mínimo de você.

Talvez eu ainda sinta amor e provavelmente sinto, me acostumei com a ideia de que basta amá-lo, saber que você está no mundo, e talvez que também ame, mesmo que não seja eu, basta saber que sente uma coisa tão bonita e tão grande, como é o meu amor por ti. Muitas vezes isso é completamente aterrorizante, mas são momentos meus, tão pessoais como meu eu lírico, e mesmo que um pouco dolorosos, são extremamente reais e bonitos. É um sentimento corajoso, de profundo valor e mesmo assim tem uma parte de frustração. É difícil escrever sobre um sentimento de incomparável perfeição, é difícil confessar que o sentimento responsável pela sobrevivência dos seres humanos, mesmo que resida dentro de mim, me falta. Mas em determinado ponto se torna uma falta que preenche, sustenta. Me torna uma carcaça sentimental ambulante implícita, mas não existe na humanidade explicação e forma de escrever, mostrar e sentir, o que está dentro deste ser, e me foi transmitido por você. E então vergonhosamente eu preciso criar alguma coisa, qualquer coisa, que represente para mim o mínimo de você, e foi assim que aprendi a viver.
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- O texto, devido ao pedido de um querido amigo para que eu escrevesse sobre amor, que é justamente uma tentativa, pois, acho que não sou tão boa como era, para escrever coisas bonitas, ou no mínimo românticas. E também é uma dedicatória a você, Dean.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Personagem principal.

E passa, passa como o olhar que não está mais presente, como o cheiro que saiu da roupa, ou simplesmente como cada estação do ano, e é estranho. Estranhamente estranho como o inverno não passa dentro de mim, meu coração mais parece um planeta distante e coberto de gelo, sem vida, sem calor, cada minuto que passa é uma veia do meu corpo que petrifica, seca.
O sangue congela, se tenta esquentar o choque térmico faz com que as veias se rompam, sendo lançadas ao chão como pequenos gravetos cristalizados. Sem pecado, entupida até a raiz de arrependimento, encenando numa peça teatral, como personagem principal de um romance que termina em tragédia sentimental.
- Não há nada a ser dito, nada a ser feito.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Incompreensível.

Um pensamento, um arrepio.
Dentro e fora, em cada célula, em cada gota de sangue, em cada extremidade. Produz um som silencioso, o eco passa das paredes de pedra.
Sente-se o mal-estar, e no momento seguinte está bem, aumenta visivelmente o tom do silêncio e olha pra mecha de luz que vai embora.
É um desejo de não entender o que por sua própria natureza é fácil, é um medo de descobrir, um medo consciente, um medo sem medo.
O suficiente pra não querer sentir, o sentimento de abstinência, o sentimento que não se sente. Sem dom artístico, assume o papel da loucura. Loucura que não é loucura, enxerga na alma um alfinete atravessado, bem no peito.
O abismo profundo brinca na roda gigante da razão, sem treva. A obsessão é um sinal da própria falta, falta que sobra, falta que está presente, falta que aumenta, como tua voz e teu canto.
O entusiasmo desajustado do mistério que alimenta o pouco de vida vivido, mal vivido. Humor rabugento, sem saber o que é, sem combinar rabugice, apenas é.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Falar ou calar.

Se eu te der uma canção,
É porque tu me destes uma razão,
Sabes que se tua respiração for desesperada,
Te abraçarei entregando-lhe minha alma delicada.
Quando quiseres descansar,
Meu colo posso te dar,
Tu podes falar ou calar.
Não preciso perguntar,
Te conheço como ninguém,
Deita tua cabeça no meu peito e imagina que tá tudo bem.
Não precisa pagar companhia,
Sempre aperto tua campainha,
Chora tua dor pra mim,
Não procura flor em outro jardim.
Nossas mentes não são perversas,
No vai e vem das nossas conversas,
Cada vez mais sinto que te preciso muito mais
Do que como um amigo.

domingo, 4 de julho de 2010

Sem fim.

Me deixa sentir o teu ardor,
Me deixa roubar toda a tua dor,
Quanto a mim,
Cordialidade se faz através da expressão,
Mas não me confunda com tua possível decepção.
Não te isola,
Não te sintas triste assim,
Deixa teu corpo ser narrado por mim,
Em cada rima dos meus versos sem fim.
Não te julgarei propriedade minha,
Mas te quero agora e toda a vida.