Não iluda minha alma
Como as dores das águas passadas
Se pudesse ser verdade
A fantasia de que tu me falasse
O quão importante sou pra ti
E livre de qualquer receio
Te atingisse o peito bem no meio
Com a sinceridade das palavras que te digo
Não queria ter te conhecido
Ora, não te sintas ofendido
A explicação é não ver-te como amigo.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Recordação
A cabeça é decorada por um coroa de orquídeas mas ninguém vê. Eu sei das feridas abertas em meus pés, eu tentei contar mas me perdi na lista, os cálculos intermináveis não são o que eu preciso. É um poço crescente de estrelas perdidas, enquanto eu olhava os ladrilhos coloridos do banheiro frio encostada na parede, suas mãos tocavam o chão e seus dedos pareciam dobrar. Eram ossos e células e sentimentos flutuando e estourando no ar como bolhas de sabão. Eu só queria ser o que você queria ter, e a sua barba cheia de espuma me lançou uma vontade de rir quando quando você me sorriu timidamente, mas você nunca nem por brincadeira imaginou que me fazia sentir o coração na garganta, na mais doce das minhas recordações. Enquanto as feridas em meus pés caminham lentamente dentro de mim e se alojam em meu peito, impossibilitando-me de ver seu rosto coberto por espumas outra vez.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Calado.
O propósito é somente ardor, sem aquecer a máquina de batimentos cardíacos, mas que mesmo escondido entre as palavras, mesmo que as palavras pareçam implorar, o amor aparece, E o sentido do sentimento, ainda ele existe.
Totalmente oculto, aquele que sente incondicionalmente, desprovido da noção de coragem. Discretamente mostrando-se, sem que o resto perceba-o, unicamente fechado e consciente de ser calado. Dono de um caráter não muito invejado não sabe o que é ousar e, não deixa transparecer que o peito foi rasgado. Ninguém desconfia que foi, nenhuma ferida fica exposta e gosta da culpa da fúria, é coberto por uma casca odorífera, sombreada, machucada.
Ouve uma voz, a voz que sabe que ama, um amor cru.
Totalmente oculto, aquele que sente incondicionalmente, desprovido da noção de coragem. Discretamente mostrando-se, sem que o resto perceba-o, unicamente fechado e consciente de ser calado. Dono de um caráter não muito invejado não sabe o que é ousar e, não deixa transparecer que o peito foi rasgado. Ninguém desconfia que foi, nenhuma ferida fica exposta e gosta da culpa da fúria, é coberto por uma casca odorífera, sombreada, machucada.
Ouve uma voz, a voz que sabe que ama, um amor cru.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Ferrugem
Espécie de raiva, raiva perversa de recompensa, roubando a vitalidade de um brilho inexistente tentando gentilmente deixar um aviso de '' sem vagas '' quando o peito é rasgado, e se torna natural de tão normal e enfurecida.
Tornando-se parte sem importância nadando na banheira transbordando de angústia, angústia profunda, cheia de ferrugem infiltrando em meus poros rasgados, remendados. Mas é uma luta que cansa, que maltrata, e não existe vencedor, porque é o drama tomando o lugar da esperança. Mas pra quê, travar uma luta quando a batalha consegue uma vítima e quando você deseja se livrar da culpa que foi moderadamente posta em seu ombro?
Tornando-se parte sem importância nadando na banheira transbordando de angústia, angústia profunda, cheia de ferrugem infiltrando em meus poros rasgados, remendados. Mas é uma luta que cansa, que maltrata, e não existe vencedor, porque é o drama tomando o lugar da esperança. Mas pra quê, travar uma luta quando a batalha consegue uma vítima e quando você deseja se livrar da culpa que foi moderadamente posta em seu ombro?
segunda-feira, 19 de julho de 2010
(In)certeza
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E foi assim, simplesmente assim, olhando diretamente em seus olhos que eu aprendi o que era o amor. Bem, na verdade não foi ' amor a primeira vista ' mas naquela noite voltando para casa sozinha e pensando se aquilo poderia ser real me senti totalmente diferente, era uma certeza em minha cabeça e em meu coração. Hoje é apenas uma lembrança de algo que foi verdadeiro apenas pra mim.
E eu tentei, desde o primeiro instante de certeza aceitar que a dor no meu coração poderia de repente despertar, eu não aceitei, e foi o que aconteceu. Por algum motivo absurdo me senti terrivelmente fraca, não acreditei que isso poderia fazer com que eu involuntariamente me sentisse deprimida, e desde então pensei em falar, mas eu sempre soube que as possibilidades de você entender seriam mínimas, então me calei.
Se é amor, espero que passe de uma vez, e espero também nunca mais sentir isso novamente, não é um sentimento bonito, não pra mim. É um sentimento destruidor, mas eu tenho uma certeza que o tempo não pode transformar em incerteza, dói muito menos ser fria, implícita, mesmo sendo completamente sincera, foi assim que aprendi a ser.
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''Como são admiráveis, as pessoas que não conhecemos muito bem."
- Millôr Fernandes.
sábado, 17 de julho de 2010
O mínimo de você.
Talvez eu ainda sinta amor e provavelmente sinto, me acostumei com a ideia de que basta amá-lo, saber que você está no mundo, e talvez que também ame, mesmo que não seja eu, basta saber que sente uma coisa tão bonita e tão grande, como é o meu amor por ti. Muitas vezes isso é completamente aterrorizante, mas são momentos meus, tão pessoais como meu eu lírico, e mesmo que um pouco dolorosos, são extremamente reais e bonitos. É um sentimento corajoso, de profundo valor e mesmo assim tem uma parte de frustração. É difícil escrever sobre um sentimento de incomparável perfeição, é difícil confessar que o sentimento responsável pela sobrevivência dos seres humanos, mesmo que resida dentro de mim, me falta. Mas em determinado ponto se torna uma falta que preenche, sustenta. Me torna uma carcaça sentimental ambulante implícita, mas não existe na humanidade explicação e forma de escrever, mostrar e sentir, o que está dentro deste ser, e me foi transmitido por você. E então vergonhosamente eu preciso criar alguma coisa, qualquer coisa, que represente para mim o mínimo de você, e foi assim que aprendi a viver.
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- O texto, devido ao pedido de um querido amigo para que eu escrevesse sobre amor, que é justamente uma tentativa, pois, acho que não sou tão boa como era, para escrever coisas bonitas, ou no mínimo românticas. E também é uma dedicatória a você, Dean.
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- O texto, devido ao pedido de um querido amigo para que eu escrevesse sobre amor, que é justamente uma tentativa, pois, acho que não sou tão boa como era, para escrever coisas bonitas, ou no mínimo românticas. E também é uma dedicatória a você, Dean.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Personagem principal.
E passa, passa como o olhar que não está mais presente, como o cheiro que saiu da roupa, ou simplesmente como cada estação do ano, e é estranho. Estranhamente estranho como o inverno não passa dentro de mim, meu coração mais parece um planeta distante e coberto de gelo, sem vida, sem calor, cada minuto que passa é uma veia do meu corpo que petrifica, seca.O sangue congela, se tenta esquentar o choque térmico faz com que as veias se rompam, sendo lançadas ao chão como pequenos gravetos cristalizados. Sem pecado, entupida até a raiz de arrependimento, encenando numa peça teatral, como personagem principal de um romance que termina em tragédia sentimental.
- Não há nada a ser dito, nada a ser feito.
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